27/08/2021 às 13h55min - Atualizada em 27/08/2021 às 15h20min

Pandemia faz crescer número de internações em clínicas de recuperação

Busca por internação em clínica de recuperação para dependentes químicos e em hospitais cresce durante pandemia do novo coronavírus. Isolados e tendo que enfrentar novos desafios, homens e mulheres recorrem ao consumo de álcool, drogas e medicamentos.

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A pandemia do novo coronavírus e todas as dificuldades impostas por ela, fez com que muitas pessoas recorressem ao consumo de drogas e álcool, ou intensificassem seu uso, para enfrentar os momentos de isolamento, ansiedade e crise financeira vividos nos últimos meses. Um dos reflexos desse cenário é o aumento do número de internações de dependentes químicos em algum hospital ou clínica de recuperação para tratamentos mais longos contra o vício.

De acordo com dados do Ministério da Saúde, em 2020, os hospitais credenciados pelo Sistema Único de Saúde (SUS) registraram um aumento de 54% no atendimento de dependentes químicos, comparado a 2019. Para o Observatório do Crack da Confederação Nacional de Municípios (CNM), essa alta é consequência da Covid-19 e das medidas de enfrentamento ao vírus.

A organização explica que “os efeitos psicológicos da pandemia, como forte ansiedade, depressão, necessidade de reclusão e medo da morte e de perder um ente querido, levaram muitas pessoas a um quadro de estresse e de potencialização de vícios e de uso de drogas” e o resultado foi o crescimento do número de usuários em busca de ajuda médica e, consequentemente, a alta na quantidade de internações de longa duração.

Essa demanda maior foi sentida por uma clínica de recuperação que atua há 25 anos na região de São Roque, no interior de São Paulo. De acordo com o fundador da instituição, João Domingos, a procura por internação cresceu aproximadamente 30% desde o início da pandemia.

“Sentimos esse aumento, especialmente de pessoas que ainda tinham sanidade para entender que precisavam buscar ajuda, além das famílias que fazem a internação involuntária dos seus filhos. Essas pessoas se apressaram para não perder os filhos também para a pandemia, porque internados eles estão mais seguros”, explicou o profissional.

João destaca ainda que a grande maioria dos pacientes se apresenta enfraquecida fisicamente e psicologicamente e com vícios cruzados. “Muitos chegaram com vícios em álcool, drogas e medicações também. Percebemos essa diferença de perfil nos últimos meses”.

Álcool e remédios

Outro tipo de droga muito utilizada ao longo da pandemia, o álcool, também está sendo mais consumido pelos brasileiros, com alta entre mulheres e idosos, de acordo com publicação do Centro de Informações sobre Saúde e Álcool (Cisa).

O estudo aponta que o consumo abusivo entre mulheres e idosos apresentava tendência de crescimento antes mesmo da pandemia. O relatório destaca a propensão de aumento expressivo do uso abusivo de álcool entre a população feminina, com variação anual média de 3,2%, entre 2010 e 2019, chegando a 5% na faixa entre 18 e 34 anos.

De acordo com a organização, “a pandemia trouxe mudanças consideráveis e sem precedentes, incluindo períodos de isolamento em casa, crise econômica e um saldo global de mais de 2 milhões de mortes. Além disso, o aumento de sentimentos negativos, como medo, ansiedade e tristeza, impactou significativamente a saúde mental e provocou comportamentos de risco, como o consumo nocivo de álcool”.

Ainda entre as mulheres, além do alcoolismo, a farmacodependência é um novo fator a ser considerado, de acordo com a Sandra Camargo, responsável por uma clínica de recuperação em Cabreúva, também no interior do estado. “Muitas mulheres se viram presas em casa, sem poder sair e com depressão. O abuso da medicação se agravou muito na pandemia”, acrescentou ela, que é responsável por uma clínica de recuperação feminina.

Segundo ela, a quarentena e outros problemas gerados em função da Covid-19 explicam essa nova tendência. “A pandemia mexeu com o estado emocional, que tem relação direta com a dependência, seja de drogas, álcool ou mesmo de remédios”, finalizou.

Dados apontados em um levantamento feito pela consultoria IQVIA a pedido do Conselho Federal de Farmácia (CFF) indicam que de janeiro a julho de 2019, em comparação com o mesmo período do ano passado, foi registrado um crescimento de quase 14% nas vendas de antidepressivos e estabilizadores de humor, usados nos casos de transtornos afetivos, como depressão, distimia (neurose depressiva) e transtorno afetivo bipolar. Isso porque, em um ano, o total de unidades vendidas pulou de 56,3 milhões para 64,1 milhões.



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