16/05/2020 às 12h40min - Atualizada em 16/05/2020 às 12h40min

Lactec e startup GTI desenvolvem equipamento de monitoramento coletivo

Solução nacional vai ao encontro das necessidades de acompanhar risco de contágio em ambientes corporativos ou de grande circulação de pessoas

Clic Paraná
Camila Agner
Imagem Ilustrativa

A retomada das atividades econômicas, a partir da flexibilização das restrições impostas pela pandemia da Covid-19, exigirá das empresas a adoção de protocolos de segurança e saúde, nos ambientes de trabalho, para evitar a disseminação da doença entre os funcionários. Foi diante dessa perspectiva que a startup curitibana de inovação GTI elaborou uma solução de triagem, baseada em sensoriamento térmico, para identificar pessoas com sintomas do novo coronavírus.

A iniciativa tem a parceria de um dos maiores centros de pesquisa tecnológica do país - o Lactec, situado em Curitiba, que atuará no projeto como Unidade de Eletrônica Embarcada da Empresa Brasileira de Pesquisa e Inovação Industrial (Embrapii). O projeto já foi aprovado e terá aporte financeiro do Sebrae e da Embrapii, que mantêm, em parceria, um edital permanente de incentivo à inovação nas micro e pequenas empresas. Com a pandemia da Covid-19, as instituições têm priorizado projetos voltados à área da saúde. O prazo previsto para conclusão é de seis meses, mas a intenção é antecipar a entrega da solução.

A proposta consiste em desenvolver um equipamento de monitoramento coletivo para medição de temperatura, de tecnologia nacional, que seja facilmente adaptável a diferentes ambientes, integrado a um aplicativo de smartphone ou tablet, para triagem e diagnóstico preliminar de pessoas que apresentem estado febril - um dos principais sintomas da Covid-19. Esses dados ficam armazenados em nuvem (big data) e, com o uso de inteligência artificial, podem gerar uma infinidade de informações para mapeamentos de risco de contágio, por exemplo. “Queremos oferecer uma solução nacional, com custo acessível, e que possa ser desenvolvida em um curto prazo de tempo, aliando a emergência de salvar vidas à retomada das atividades econômicas”, afirmou o proprietário da GTI, Maurício Doebeli.

A intenção, segundo o empresário, é disponibilizar o equipamento de monitoramento coletivo às empresas para que elas possam retomar suas atividades e, ao mesmo tempo, resguardar a saúde de seus colaboradores. Além de ambientes corporativos, a solução pode ser implantada, também, em outros locais, públicos ou privados, de grande circulação de pessoas, como aeroportos, terminais rodoviários e shoppings centers, por exemplo.

Para tirar a ideia do papel, a startup contará com o apoio de pesquisadores do Lactec, de Curitiba e da Unidade Nordeste, em Salvador (BA), além do suporte de laboratórios de Eletrônica para o desenvolvimento, testes e calibrações do equipamento, e de Desenvolvimento de Softwares e Experiência do Usuário.

O projeto já foi aprovado e terá aporte financeiro da Embrapii e do Sebrae, que mantêm, em parceria, um edital permanente de incentivo à inovação nas micro e pequenas empresas. Com a pandemia da Covid-19, as instituições têm priorizado projetos voltados à área da saúde. O prazo previsto para conclusão é de seis meses, mas a intenção é antecipar a entrega da solução.

Triagem e autoavaliação de risco

O equipamento de monitoramento coletivo de temperatura a ser desenvolvido no projeto será acoplado a um smartphone ou tablet e integrado a um aplicativo, permitindo a triagem da medição da temperatura corporal de forma automatizada, off-line e sem contato, a partir da aproximação da parte interna do punho da pessoa. O resultado é exibido no display do aparelho, com sinal verde indicando normalidade ou vermelho como alerta para alteração na temperatura (a literatura médica considera como febre temperatura acima de 37.8°C). Caso seja identificada qualquer variação de temperatura corporal, a pessoa pode ser encaminhada para um segundo diagnóstico ou fazer uma autoavaliação, preenchendo informações complementares sobre seu estado de saúde e dados pessoais, em um aplicativo de celular.

Nessa autoavaliação, a pessoa informará outros eventuais sintomas, como dor de garganta, tosse, coriza, ou, ainda, situações em que se expôs ao risco de contágio, como o contato com pessoas que tenham sido diagnosticadas com a covid-19. O cadastro dessas informações permite gerar um diagnóstico preliminar com o grau de risco de a pessoa estar com a doença, considerando parâmetros definidos por autoridades de saúde.

“O aplicativo vai gerar uma base de dados, que pode ser processada por inteligência artificial e fornecer outras informações importantes não só para tornar os ambientes de trabalho mais seguros, mas para a adoção de medidas sanitárias e de controle epidemiológico pelo poder público”, pontuou o coordenador do projeto pelo Lactec, Eduardo Guimarães, considerando a possiblidade de cruzamento com outros bancos de dados, como os de geolocalização, a partir de potenciais parcerias e cooperações.

A ideia é que o equipamento de monitoramento coletivo de temperatura possa ser instalado junto a controles de acesso de funcionários de empresas, como catracas, por exemplo, ou em totens desenhados especificamente para essa finalidade, de forma a tornar prático e funcional o processo de medição de temperatura e triagem.

 
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