16/05/2020 às 10h12min - Atualizada em 16/05/2020 às 10h12min

Contaminação em frigorífico causa surto de Covid-19 em 22 pequenas cidades do Paraná

Empregados com sintomas, como coriza e febre, são testados e colocados em isolamento

Clic Paraná
Folhapress: Katna Baran
Foto: Divulgação/Ilustração/Fundação Araucária

Um surto do novo coronavírus entre funcionários de um frigorífico em Paranavaí, no noroeste do Paraná, fez aumentar exponencialmente o número de pessoas contagiadas na cidade e em outros 21 pequenos municípios da região.

Pelo menos 20 empregados da GTFoods foram infectados com o vírus e três morreram, de acordo com a prefeitura de Paranavaí, a maior cidade da região, com aproximadamente 88.300 habitantes. A empresa emprega 2.100 pessoas residentes no município e em cidades do entorno -a maior delas possui cerca de 23.000 habitantes.

O crescente avanço da Covid-19 a partir da contaminação no frigorífico levou a regional de saúde de Paranavaí à primeira posição no ranking paranaense que mede o coeficiente de incidência do novo coronavírus por milhão de habitantes.

Nesta sexta-feira (15), eram 925 contaminados por milhão de pessoas na regional. O número é próximo do índice nacional (960), mas muito acima do registrado no Paraná, de 187 casos por milhão de habitantes. Só seis dos 28 municípios da área não possuem registros da Covid-19. 
“Testamos mais, então é claro que a incidência aumenta”, afirmou o diretor da regional de saúde, Nivaldo Mazzin.

Desde o início da pandemia no país, a região, que agrega cerca de 275.000 habitantes, contabilizou 256 infectados e 12 mortes, segundo o último boletim epidemiológico do estado.

Por ser a cidade mais populosa, Paranavaí é a mais afetada em números absolutos, com 105 registros e cinco mortes. Mas a preocupação está nos pequenos municípios. Chamam atenção os casos de São João do Caiuá, cidade de 5.855 habitantes, que registrou 57 casos de Covid-19 e uma morte, e de Santo Antônio do Caiuá, que, com 2.641 habitantes, acumula 29 registros e uma morte. Em Amaporã, 31 pessoas se infectaram, numa população de 6.257 pessoas.

Considerando o coeficiente de óbitos pela doença, a regional também registra o maior índice do estado –são 43 por milhão de habitantes (no Paraná, esse número é 11).

O hospital de referência na região é a Santa Casa de Paranavaí, que conta com apenas dez leitos de UTI para pacientes com a Covid-19. Dois deles estavam ocupados até a manhã dessa sexta-feira. Dez pacientes ocupavam os 20 leitos de enfermaria reservados para a doença.

“Está bom? Claro que não. É assustador no momento em que têm casos, mas a incidência de internamento é baixa”, afirmou Mazzin, que não descarta a possibilidade de aumento súbito no número de pacientes, o que colocaria em risco o atendimento do sistema público de saúde.

Para conter a transmissão do vírus, a GTFoods teve que suspender as atividades por 14 dias, entre 9 e 22 de abril. A secretaria municipal de Saúde enviou também técnicos da área de segurança do trabalhado para uma visita e para coordenar reuniões de orientação.

Na última sexta-feira (8), a GTFoods também assinou um Termo de Ajustamento de Conduta com o Ministério Público do Trabalho para a adoção de medidas para evitar a exposição dos trabalhadores ao risco de contágio. Entre as medidas estão sistemas de escalas de trabalho para reduzir contatos e aglomerações, distanciamento dos empregados e afastamento de todos os trabalhadores que tenham tido contato com qualquer contaminado ou suspeito.

O surto no frigorífico já foi controlado, de acordo com Mazzin. “A partir do momento em que [o funcionário] chega na empresa, não tem mais problema, mas até ele chegar na empresa tem contato com outras pessoas. Aí vai levando [a doença], vai proliferando”, explicou.

Empregados com sintomas, como coriza e febre, são testados e colocados em isolamento.

A secretaria estadual de saúde completou que a disseminação do vírus no frigorífico foi pontual, mas admite que há ligação da empresa com o aumento de casos na regional. “A subida no número de casos representa que pessoas contaminadas tiveram algum vínculo com a empresa, inclusive de trabalhadores que moram em outros municípios”, informou em nota.

Procurado, o assessor da GTFoods afirmou que não iria “fornecer nenhuma posição que associe algo do coronavírus à empresa, pois não há associação” e “que não existe nenhuma constatação ou irregularidade”. Formalmente, a empresa informou que não iria se pronunciar.

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