22/07/2022 às 15h48min - Atualizada em 24/07/2022 às 09h20min

Inflação na construção civil sobe e custos elevam preços de imóvel na planta

Crise inflacionária que ainda impacta o mercado global respingou na construção civil, acumulando alta de 7,20% desde o início de 2022

DINO
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Inflação na construção civil sobe e custos elevam preços de imóveis


Os imóveis novos estão mais caros. A crise inflacionária que ainda impacta o mercado global respingou na construção civil. Em junho, o Índice Nacional de Custo da Construção, o medidor da inflação no setor, monitorado pela Fundação Getulio Vargas (FGV), apontou um aumento de 2,81% em junho, acumulando alta de 7,20% desde o início de 2022 e de 11,75% nos últimos 12 meses.

Com base nos dados, é perceptível que o setor é um dos que enfrentam um período de inchaço dos preços. Desta forma, existem motivos para explicar isso.

O principal responsável é o custo da mão de obra, que sofreu uma elevação de 4,37% só no mês de junho. Uma realidade que apresenta a possibilidade de desmotivar aqueles que pretendem comprar um imóvel novo.

“É um cenário que preocupa? Sim, mas ao mesmo tempo sugere que é um problema que pode ser superado. Tanto que, só no mês de junho, foram criadas 35 mil novas vagas na construção civil em todo o país”, pondera Adson Almeida, Gerente Comercial da Projelet, escritório de engenharia focada no desenvolvimento de soluções. O número tem como base o Cadastro Geral de Empregados e desempregados (Caged), do Ministério do Trabalho e Previdência.

O problema é que há outros aspectos atuando contra o setor. Os preços dos materiais, equipamentos e serviços, ainda de acordo com o Caged, tiveram um reajuste mais brando, de 1,40% em junho. Adson Almeida lembra que a curva de valorização dos insumos ocorre quase que concomitantemente ao início da pandemia, em março de 2020. “Desde então, a construção civil manteve-se numa gangorra constante, na qual os preços se elevavam, mas o crédito imobiliário oferecia condições atraentes para os consumidores”, lembra.

Muito disto tem relação direta com o posicionamento do produto e também da construtora. Daniel Guimarães, CEO da 2DA Estratégia, Negócio e Território – empresa especializada em estratégias de posicionamento de produtos e marca no mercado imobiliário –, explica que apesar da alta de preços os clientes estão mais cientes do momento e com senso de urgência para decidir pela compra da casa própria.

“Esse cenário de turbulências e incertezas, exige das empresas clareza e informações de qualidade sobre o momento dos clientes e sobre os concorrentes, não dá para agir mais no feeling. Os clientes amadureceram quanto a compra de um imóvel e sabem o que querem. O imóvel precisa responder aos desejos, critérios e motivações de compra e está alinhado ao preço. Se não for assim o cliente não verá valor para realizar compras. Principalmente se for para clientes de classe média e alta. Já no mercado popular, o valor da parcela é um ponto importante, porque o cliente amadureceu quanto à qualidade devido ao volume de ofertas dependendo da região. A pergunta é: de quem o cliente preferirá comprar? A construtora que tiver a preferência de compra terá a chance de andar na frente e mais rápido desde que entregue o que vendeu”, explica Daniel.

Hoje a situação é diferente. Em um ano, a Taxa Selic saltou de 4,25% para 13,25%. “Isto significa que o acesso ao crédito está mais caro, diminuindo a procura por financiamentos de imóveis. É uma forma de combate à inflação que ocorre pelo recuo do consumo. E a compra de imóveis e de bens duráveis entram nessa lista”, pontua Adson.

Por isso, a FGV projeta um desempenho bastante discreto da construção civil no decorrer de 2022 em relação a 2021. Por outro lado, o Índice de Confiança da Construção, também medido pela Fundação, foi elevado em 1,2 ponto em junho, alcançando os 97,5 pontos. Reflexo de investimentos feitos no segmento.

“Estamos vivendo um período conturbado, mas que ainda está longe de cravar que um dos motores do PIB brasileiro esteja em crise. A locomotiva da construção civil está com a caldeira ainda bem aquecida, e trafegando por um trecho sem muitos percalços”, analisa Adson Almeida.

Concordando com o ponto de vista de Adson, o especialista em mercado financeiro e CEO da Lotus Capital – escritório de investimentos associado ao BTG Pactual, Sanzio Cunha, ainda acrescenta que “na construção civil brasileira, uma indústria cuja automatização ainda é uma realidade distante, os custos com mão de obra representam, normalmente, mais de 40% do total de uma obra.”

“Com tamanha relevância no custo dos projetos, é natural que ele também tenha um grande impacto no preço final do m². A análise, nesse caso, é bastante simples. Com a inflação atingindo duas etapas tão relevantes da cadeia produtiva - mão de obra, em maior escala e materiais, em menor escala - o que se espera é que os preços dos imóveis se elevem”, explica o CEO da Lotus Capital.



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